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“Cozinha Solidária”, que alimenta entre 150 e 200 pessoas por dia, na Azenha, corre risco de ser desalojada

Eduardo Osório, coordenador do MTST (à frente) e voluntários da Cozinha Solidária da Azenha | Fotos: Ruvana De Carli/CarliCom

A Astec ganhou novos e bem-vindos vizinhos. Eles estão alimentando gratuitamente pessoas em condições de insegurança alimentar, na Avenida da Azenha, nº 1018, em um bairro que se caracteriza pela forte atividade comercial, localizado em uma borda do centro de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. É a Cozinha Solidária, que abriu no domingo (26) e está sob ameaça de ser desalojada. Liminar concedida, na tarde deste domingo, suspendeu pedido de reintegração de posse do imóvel ocupado pela iniciativa, que conta com o apoio de entidades como o Instituo dos Arquitetos do Brasil-RS e Sindicato dos Arquitetos no Estado do RS.

Na quinta-feira (30), em um antigo casarão em ruínas, de propriedade da União, que estava abandonado até poucos dias atrás, havia muita gente trabalhando como se estivessem na área rural. Enquanto mais uma pancada de chuva se aproximava, várias pessoas, a despeito da pouca intimidade demonstrada com as enxadas, aceleravam a abertura de pequenas valas para escoar a água que poderia estragar os canteiros arquitetados com capricho, no terreno de 976m², antes dominado pelo matagal. Mais do que isso, cada broto de verduras, legumes, frutas, chás e ervas que surge do chão, nasce carregado de solidariedade, empatia, respeito pela humanidade e esforço para combater um flagelo que assola o mundo todo: a fome.

Para se voluntariar, basta chegar no local

 

Os alimentos cultivados no terreno serão usados na Cozinha Solidária

Esse lugar é uma das 21 cozinhas solidárias que funcionam em onze estados brasileiros (a meta é chegar a 26) – um projeto do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), com o apoio de pessoas, empresas e entidades da sociedade civil. A iniciativa foi implantada no domingo, 26 de setembro, e desde então tem servido entre 150 e 200 almoços por dia, de segundas a sextas-feiras, atendendo a uma grande diversidade de pessoas. Mesmo assim, corre o risco de ser desalojada porque o governo resolveu colocar a área para leilão, no próximo dia 13 de outubro.

No próprio domingo da abertura da Cozinha Solidária, a Brigada Militar esteve no local, acionada por uma denúncia anônima, e pediu a desocupação da área. Diante da negativa do movimento, a União ajuizou uma ação pedindo a reintegração de posse, acatada pela juíza Ana Maria Wicket Theisen, da 10ª Vara Federal de Porto Alegre, que concedeu três dias para que o movimento deixe terreno. Entretanto, o MTST recorreu da decisão e espera conseguir negociar a liberação do terreno para prosseguir prestando o serviço, em benefício de tanta gente que dele necessita.

“São indivíduos em situação de rua, moradores do condomínio Princesa Isabel e da Vila Cabo Rocha, que ficam nas proximidades, vendedores ambulantes, trabalhadores que vêm ou estão indo para o centro da cidade, motoristas de aplicativo, motoboys e até os empregados do comércio do entorno, que trabalham com carteira assinada, mas, muitas vezes não conseguem comprar todo o alimento necessário com o salário e o vale-refeição. Mas, ao mesmo tempo, não é só o prato de comida. É o acolhimento, é a troca, é o encaminhamento de uma demanda”, explica Eduardo Osório, um dos coordenadores do MTST. São pessoas que chegam descalças, precisando de um pequeno curativo ou simplesmente, de serem tratadas com atenção e algum afeto.

Ás vezes, as pessoas vêm almoçar e ficam para ajudar

Osório cita o exemplo da dona Noeli, que veio em busca de um almoço e ficou para ajudar a servir as marmitas. No dia seguinte, voltou para ajudar a organizar o lugar e agora já é uma das responsáveis pelo preparo das refeições. Para colaborar, basta ter vontade.

Pequenos empresários da região estão entre os que têm contribuído com doações e que se dizem satisfeitos com a abertura da Cozinha Solidária que, além de ter dado uma destinação para o imóvel abandonado, que antes gerava grande insegurança nas imediações, também está alimentando as pessoas e, dessa forma, entre outros benefícios, tem reduzido o número de pessoas em condição de rua que batiam de loja em loja para pedir ajuda.

Os almoços são totalmente preparados com alimentos doados

Os alimentos são 100% provenientes de doações. Colabore você também, levando alimentos até a Avenida da Azenha, 1.018; pelo link https://apoia.se/cozinhasolidaria; ou através do PIX rededeabastecimento@gmail.com, enviando o comprovante para o WhatsApp (51) 99345-1749.

Entidades apoiam a Cozinha Solidária

Em defesa da segurança alimentar de todas as pessoas que dependem da Cozinha Solidária, a Astec apóia a iniciativa e defende a sua manutenção, do mesmo modo que fazem o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) e o Sindicato dos Arquitetos no Estado do RS (SAERGS).

Clique aqui e confira o teor da liminar concedida nesta tarde, que suspendeu a reintegração de posse do imóvel, permitindo, dessa forma, que a Cozinha Solidária siga funcionando para alimentar quem precisa.

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