
A informação é uma das ferramentas mais importantes para o enfrentamento da violência contra a mulher. Em 2026, até o fechamento desta matéria, o Rio Grande do Sul acumulou 52 vítimas de feminicídio. O número corresponde a 65% do total registrado em todo o ano anterior, quando ocorreram 80 mortes por questão de gênero, indicando a persistência de um cenário grave de violência contra as mulheres. No Brasil, dados oficiais do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, contabilizam 848 vítimas de feminicídio entre janeiro e julho de 2026, indicando uma leve queda de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025.
A partir de agosto, Porto Alegre conta com um novo instrumento de informação e análise sobre a violência contra a mulher: o Perfil Epidemiológico e Sociodemográfico da Mortalidade Feminina por Agressão em Porto Alegre (2015-2024).
O estudo apresenta os principais resultados da pesquisa desenvolvida como Trabalho de Conclusão da Residência em Vigilância em Saúde da Escola de Saúde Pública do Rio Grande do Sul (ESP/RS), pela residente Maristela Fleck Pacheco, sob orientação de Patrícia Conzatti Vieira, gerente da Unidade de Vigilância Epidemiológica da Diretoria de Vigilância em Saúde da Capital.
A pesquisa tem como objetivo analisar os óbitos por agressão de mulheres residentes em Porto Alegre, ocorridos entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2024, com base em dados obtidos do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), contemplando todas as faixas etárias.
Além de caracterizar os óbitos do ponto de vista epidemiológico e sociodemográfico, o estudo busca ampliar a compreensão sobre a trajetória assistencial dessas mulheres por meio da integração de informações provenientes de diferentes sistemas do Sistema Único de Saúde (SUS).
A leitura do documento não deixa dúvida de que os serviços públicos de saúde podem desempenhar um papel fundamental no enfrentamento da violência de gênero. Ao identificar situações de violência e acompanhar a trajetória das mulheres na rede de atenção à saúde, esses serviços podem contribuir para interromper ciclos de violência e, sobretudo, prevenir feminicídios e salvar vidas.
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