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Astec informa crise na SMAM

Núcleo de representantes entregou documento ao novo secretário, Luiz Fernando Zacchia, relatando precariedade na organização da pasta.

Núcleo de representantes entregou documento ao novo secretário, Luiz Fernando Zacchia, relatando precariedade na organização da pasta.

 

O núcleo da Astec na SMAM – Secretaria Municipal do Meio Ambiente – entregou documento ao novo titular da pasta, Luiz Fernando Zacchia, durante o ato de posse, nessa terça-feira, 1/2. Intitulado Crítica aos Conceitos, Gestão e Planejamento na SMAM, que já havia sido entregue ao secretário anterior, em maio de 2010, traduz o pensamento da equipe técnica e alerta sobre a crise vivenciada pelo órgão, denunciando a precariedade na organização da pasta.

Em uma breve conversa de boas vindas, os representantes da Entidade manifestaram a disponibilidade para colaborar com a nova gestão, o que foi muito bem recebido pelo Secretário.

Confira a seguir, a íntegra do documento:

CRÍTICA AOS CONCEITOS, GESTÃO E PLANEJAMENTO NA SMAM
Uma perspectiva da área técnica

Em recente encontro na SMAM, promovido pela ASTEC, visando a composição da pauta de reivindicações para a reposição de perdas salariais entre outros assuntos, foram levantados pelos participantes  diversos temas, compreendidos como pautas específicas da SMAM, os quais foram aprofundados em reunião posterior, cuja síntese e encaminhamentos reproduzimos abaixo:

O tom crítico predominou o conjunto das falas e identificou consensualmente o excesso de demanda nas diferentes equipes, e uma dificuldade objetiva em atender aos volumes crescentes de processos, leis, decretos, normas e procedimentos, o qual não é acompanhado pelo número de servidores técnicos e administrativos disponíveis na secretaria.

Elencaram-se fatores externos e internos para entender o quadro atual, tais como o aquecimento econômico vivido nos últimos períodos, o número crescente de normas legais derivadas da organização e anseios da sociedade civil no que tange às políticas ambientais, e às restrições alegadas ao proporcional incremento do quadro de servidores identificados como necessários ao atendimento adequado das demandas postas.

Independentemente da composição destes diagnósticos, o fato concreto é que nós, enquanto servidores concursados, consideramos que a SMAM está convivendo com estes PROBLEMAS, e que nos últimos anos estes problemas estão adquirindo o caráter de CRISE, e cumpre-nos alertar que se mantendo o atual quadro, esta crise evoluirá inexoravelmente para o CAOS.

De maneira sintética podemos enquadrar estes problemas da SMAM como sendo problemas de Conceito, Gestão e Planejamento. A título de exemplo, discorreremos brevemente sobre alguns destes pontos.
Os CONCEITOS que se tem de como deve ser a gestão ambiental de uma cidade podem ser determinantes para gerarmos políticas de indução positiva ou coercitiva, dar-se de forma estratégica em função de prioridades ambientais, sociais e políticas, ou evoluir para “soluções” de caráter  burocrático  cartorial. Se não há uma hierarquia clara de valores e prioridades a serem atendidas, passamos a absorver novas demandas e freqüentemente a culpa pelas contradições das diversas políticas de desenvolvimento em curso.

O reflexo desta carência traduz-se em gestões erráticas, pois ao buscar responder ao maior número possível de responsabilidades e atribuições, acaba gerando normas diversas, contudo, como falta à preocupação objetiva com o tamanho e a capacidade da máquina administrativa disponível, acaba por não concluir tarefas importantes, oferecer um serviço falho, ou simplesmente paralisar frente à constatação de que não se sabe o que se deve resolver primeiro, ou o que deve ser deixado por último.

Por outro lado, a necessidade de atender emergências e demandas sempre de caráter urgente, leva ao negligenciamento das atividades de PLANEJAMENTO. Ao relegar o importante em detrimento do urgente, abrindo mão, por exemplo, de atuar na inclusão da variável ambiental na gênese das políticas de desenvolvimento, estamos pagando o preço, “tapando o furo” de outros órgãos, ou a irresponsabilidade com que as questões ambientais são tratadas por outros órgãos, restando-nos arcar com as pechas de trancar o licenciamento ambiental, ou de impedir o corte de árvores em risco, e neste quadro de pouca gente e muita demanda, ter seus quadros deslocados para atender justamente a quem foi negligente com a destinação de recursos para o trato com as variáveis ambientais.

Neste contexto, a GESTÃO fica enormemente prejudicada, quer trate-se de recursos financeiros, de pessoas, materiais, serviços e obras. A dificuldade em empenhar recursos ordinários disponíveis ou derivados de compensações, por si só ilustra a dificuldade de gestão enfrentada da SMAM, ou seja, existem recursos e demandas, mas não há capacidade de canalizá-los adequadamente.

Todos estes aspectos e fatos relatados afetam em cheio o GOVERNO (Administração), ao frustrar as expectativas da sociedade civil, quer tratemos dos setores produtivos que demandam celeridade e regras claras nas análises, quer nos moradores que usufruem os equipamentos públicos, ou das ONG’s com suas demandas vinculadas às unidades de conservação ou decorrentes dos conflitos relacionados a qualidade ambiental.

Ainda assim, os governos  tem caráter temporário, mas é o ESTADO (servidores e estrutura) que é cobrado perpetuamente pelos serviços demandados, que responde à comunidade e a outros órgãos fiscalizadores, e que tem no quadro de pessoas concursadas e nos diplomas legais,  os instrumentos para regrar o desenvolvimento da cidade, e em nosso caso com a devida responsabilidade frente a tutela ambiental.

Neste sentido, gostaríamos de agendar reunião onde possamos detalhar os temas e análises brevemente abordados aqui, e compartilhar diferentes pontos de vista (GOVERNO e ESTADO) sobre estes problemas, os limites e possibilidades de ambos, para que possamos identificar as opções e prioridades desta gestão no enfrentamento das dificuldades apontadas e das perspectivas em curso.
 
Atenciosamente,
ASTEC – Núcleo SMAM

 Em 03-5-2010

ASSOCIATIVISMO PARTICIPATIVO SE FAZ COM UNIÃO E PLURALIDADE.

DIRETORIA EXECUTIVA GESTÃO 2011-2012

 

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