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Congresso de Administração, na Itália e na Suíça

A correspondente da Astec, Dione Borges, atualiza as informações, direto da Europa.

 

A correspondente da Astec, Dione Borges, atualiza as informações, direto da Europa.

Segunda-feira, dia 10/10/11 a atividade dos congressistas pela manha foi um delicioso passeio pela cidade de Turim a qual abriga muita história, prédios Medievais fascinantes, demais prédios imponentes que representam  arquitetura de diferentes séculos, Predominando a Romana e Barroca. Turim já foi a capital da Itália. A cada passo percebemos que ficou registrado em sua história  a riqueza de uma elite antiga muito culta, rica e católica.
Também encontramos em Turim  o Tribunal da Inquisição e a praça onde os condenados eram barbaramente queimados – Um capítulo triste da história da humanidade (mais um).
É uma cidade bastante arborizada e de ruas largas, legado do período da dominação Napoleônica. Napoleão  determinou a construção de ruas largas com plantação de inúmeras árvores.
Turim possui em seu entorno montanhas( baixos Alpes suíços)  cujo cimo ainda apresenta camadas de gelo (mesmo tendo acabado o verão) e a 45minutos do centro encontra-se uma estação de Sky utilizada pelos moradores, como lazer, nos finais de semana.
Tem muitas Igrejas e na Catedral de Turim encontra-se uma réplica do Santo Sudário de Cristo, o que leva muitas pessoas a visitação embora não seja uma cidade turística.
As Universidades são quase todas públicas e o Prédio que abriga a Faculdade de Economia e Negócios da Universidade de Turim, sede do VII Congresso mundial de Administração já foi um asilo e é publica.
Este ano Turim, ou Torino, como chamam, comemora seus 150 anos de Unidade Italiana e vê-se nas janelas de muitos prédios bandeiras com as cores da Itália e exposições comemorativas a tão importante data para os Italianos.
Em 2006 as Olimpíadas aconteceram aqui em Turim.
 
Abertura do evento

Pontualmente às 14 horas do dia 10/10/11 deu-se a abertura do VII congresso Mundial da administração e do XII FIA – Fórum Internacional de Administração, dedicado ao mundo do trabalho,  onde tomaram a palavra os organizadores do Evento do Brasil – CRA-RS, Adm. Claudia de Salles Stadtllober – Presidente do Conselho Regional de administração do RGS,  que declarou que os congressos mundiais, onde  o primeiro aconteceu no Brasil, na  cidade de Gramado/RS e “têm sido eventos de muito sucesso e que este não será diferente pois conta com Administradores competentes em sua organização”.  Agradeceu a toda a equipe que tornou possível estarmos nesta cidade de Turim,  discutindo o mundo do trabalho, as novas práticas e novas necessidades. Desejou que o congresso traga muita inquietação aos participantes, para que, da inquietação, surja novos movimentos como resposta às questões e problemáticas vividas pela nossa sociedade no mundo do trabalho. Desejou também  que o evento traga conhecimentos e novas experiências a todos.
Já o Adm. Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ lembrou que em tudo que se faz estará presente a teoria das Organizações, cujas organizações são ficções jurídicas onde as pessoas devem ser os senhores da organização para um mundo melhor, mais humanizado. Citou  que a velocidade da tecnologia tem seguido a velocidade da Luz e que a velocidade do pensamento (mudanças) tem sido como carroças e que este é o desafio na busca de novos rumos para as questões envolvendo o mundo do trabalho.
Pela a Faculdade de Economia e Negócios da Universidade de Turim, falou o Prof. Sergio Bertolani que salientou os 150 anos de Unidade Italiana e das comemorações pela data festiva e lembrou que esta Faculdade foi fundada em 1404 e ETA com 10.000 (dez) mil estudantes e 2/3 deles são estudantes de bacharelado em administração e finanças e que a prioridade é a interiorização. Com satisfação falou  das relações consolidadas com o Brasil através das seguintes Universidades: USP, FGV, UFRJ, UFES, UFMG e UCS de Caxias do Sul e também com a Argentina. Lembrou que o congresso está dedicado ao mundo do trabalho e que abordará mais o tema em palestras subseqüentes.
O Presidente do Conselho Federal de administração – Adm. Sebastião Mello – falou das Marcas FIA e Congresso Mundial de administração, este último de criação do CRA-RS e da importância das mesmas para os Administradores e do significado  das experiências e intercâmbios internacionais numa economia mundial globalizada e dos desafios diários no mundo do trabalho. Lembrou do significado do TRIPALLIUM –  castigo que se dava aos escravos –  para refletir que em pleno século  XXI ainda existe trabalho infantil. Exortou a todos no sentido de aproveitar o congresso para pensar novas formas de realizá-lo, lembrando ainda que “vamos discutir o Assédio Moral que é a humilhação sofrida pelos trabalhadores” incitando os presentes a identificar e denunciar.
Falaram ainda o Economista Antônio Graziosi que agradeceu a presença de todos e disse que sua mensagem acontecerá na palestra e por fim o Lic. Oscar Menna Redondo da Organização Latino americana dizendo que o evento fortalece os objetivos da organização e lembrou que o mundo do trabalho deve estar sendo discutido todos os  dias.

1ª Conferência: A Geração de trabalho decente x Crescimento econômico sustentável

Econ.Antonio Graziosi

Apresentou  a OIT e seus objetivos de estabelecer  regras para o trabalho decente.
Esclareceu que a Estrutura da OIT é tripartite: governo, organizações sindicais e trabalhadores, pois sem estes atores não seria possível estabelecer objetivos democráticos.
As normas da OIT pelo emprego de qualidade (pacto global) são:
– Políticas de emprego para curto e médio prazo;
– emprego com proteção social;
– diálogo social (muito diálogo social).
Esclareceu que a Estrutura da OIT é tripartite: governo, organizações sindicais e trabalhadores, respeitando os princípios democráticos.
Falou da existência de assimetria de interesses, pois o poder econômico, representado pela OMC, por mais que a mesma  justifique o não atendimento completo das recomendações da OIT, são claros os interesses econômicos em detrimento das necessidades do trabalhador;
Governo tenta trabalhar com equilíbrio mas empresas justificam necessidade de flexibilizar as regras de proteção sociais ao trabalhador.

As estratégias da OIT para reduzir a pobreza: –  conciliar a agenda econômica com a agenda social aumentando empregos  e discutindo o contrato social e responsabilidade social e os benefícios sociais do trabalho decente (trabalho exercido com dignidade, sem exploração por parte do empregador).
A Dimensão Social do trabalho  na globalização: Etica e Valores em busca de um novo modelo de gestão.


Conferencistas:

Dr. Mario Pianta, Itália e Dr. Federico Martelloni, Itália
O neoliberalismo, a partir de 1990, defendeu que o livre mercado iria apresentar vantagens para os governos, para as empresas e para  os trabalhadores. Entretanto está confirmado que esta relação de vantagens não aconteceu da forma como foi apregoada principalmente pelos paises desenvolvidos e pela elite intelectual. O trabalhador está trabalhando mais e perdendo direitos básicos.
“Será que o poder econômico está interessado em discutir uma relação que haja harmonia entre os interesses”? Existe antagonismo, afirma o palestrante.

Poder econômico – relação desigual com os direitos do trabalho.

O poder econômico escreveu as regras no passado e  20 anos depois o resultado foi totalmente diferente e seqüestraram o poder decisório do poder democrático. Os cidadãos não conseguem levar seus interesses nas decisões da ONU e outros organismos sociais como o FMI e políticas econômicas internacionais.

Nas regras do trabalho não há liberdade de movimento. No comercio o fator é a livre movimentação. Ainda não temos formas  de resolver estas diferenças. As criticas ao modelo neoliberal contribuem para refletir sobre a importância de chamar a atenção para o direito das pessoas, dos trabalhadores e não para os direitos econômicos.
As empresas exploram o que podem na relação do trabalho.  Mas este ciclo não se sustenta. Torna-se frágil. O Palestrante citou os Estados Unidos e a crise de 2008 que, segundo ele,  é resultado desses antonismos. E a crise de hoje? Reflexo da crise  de 2008.
“O americano se gabava da pouca interferência no do Estado na Economiae.. Mas o estado teve de socorrê-los – apressadamente. Já o Brasil, que sempre teve intervenção do Estado, está mais estável, afirma o economista.
 Ao contrário do que a teoria Keynesiana prega(teoria econômica consolidada pelo economista inglês, John Maynard Keynes no livro “Teoria Geral do emprego, do juro e da moeda” – General theory of employment, interest and money), o neoliberalismo consiste em  uma corrente que defende o Estado como agente de controle indispensável da economia, com objetivo de conduzir um sistema de pleno emprego, rediscutindo a política de livre mercado – defende a absoluta liberdade de mercado -, a defesa das liberdades individuais, em contraponto, portanto, ao Estado dito controlador e assistencialista. O Keinesianismo defende a idéia de que os direitos sociais devem ser garantidos pelo Estado, em busca do bem estar da população, materializado pelo salário mínimo, pelo seguro desemprego, pela redução da jornada de trabalho, dentre outras ações, as quais não são obrigações da iniciativa privada, de forma geral, ampla. Hoje a intervenção estatal está se confirmando necessária e as teorias de Keynes são resgatadas em todas as economias. O que é uma contradição, as economias fortes, dominantes, estão olhando para trás e revendo seus fundamentos, rediscutindo suas ações. As diferenças de interesses de empresários e trabalhadores afetam o modo de trabalhar, diz o palestrante.
É preciso redesenhar o sistema de regras, com propostas avançadas,  para reduzir os excessos do neoliberalismo e devolver aos trabalhadores e aos sindicatos  a sociedade civil. O modelo de produção não serve mais, pois está sendo utilizado regras antigas, muitas do século XIX, para problemas novos.
A OIT tem critérios para analisar os abusos pelo não cumprimento dos direitos dos trabalhadores, mas não tem sistema de sanções. Tem abordagem gradual pelo diálogo. A sanção é moral.
O Brasil conseguiu não sofrer tanto com a crise, mas terá de fazer fortes investimentos em educação, pois já deveria ter feito investimentos maciços há 20/30 anos atrás e está, só agora, se preocupando mais com essa importante questão, com adoção de ações mais efetivas como investimentos e melhorias salariais de professores. Terá  de trabalhar muito mais duro agora.
 
Dr. Federico Martelloni

Dr. Federico alega que lutamos desde o século XIX para criar regras fortes o suficiente para não serem revogadas ou alteradas em sua essência mas hoje as forças são contrárias a estas regras. Existem movimentos para alterá-las, mesmo com o mínimo que o trabalhador conseguiu. Alega que é um retrocesso e que não está sendo possível avançar porque o trabalhador precisa defender o pouco já conquistado. É fenômeno mundial:
Direito x Economia x sociedade civil.
Cita as regras da FIAT na Itália e as questões que envolvem os contratos de trabalho. As negociações e o prejuízo aos trabalhadores quando se retira o direito das negociações coletivas.
Entende que o contrato de trabalho define a hierarquia do trabalho. É sempre DESIGUAL o poder da empresa e o poder do trabalhador.
 
Dr. Fernando Fonseca

A OIT,   tem 183 paises membros, faz parte da ONU e foi fundada em 1919(tratado de Versailes).
Tem legitimidade para expedir normas com o objetivo de evitar as desigualdades e evitar a guerra.
A OIT é organização especializada da ONU e faz atividade de pesquisa, estudos, etc.
Na conferência Nacional do Trabalho, organizada pela OIT, a representação se dá da seguinte forma:

4 delegados por pais membro
2 representantes do governo
1 representante do empregador
1 representante dos trabalhadores;
Para adotar uma medida é necessário 2/3 dos votos na conferência.

Não tem papel jurídico. Faz recomendações. Mas as normas criam obrigações jurídicas.
Normas aprovadas: sindicais, sobre trabalho forçado; não discriminação ao trabalho e idade mínima para o trabalho.

Busca o diálogo social em nível internacional com o objetivo de promover a justiça social e globalização  socialmente sustentável, pois o atual modelo de globalização trouxe exclusão e dificuldade para gerar empregos.
Entende que modelo Neoliberal explodiu os desequilíbrios e recomenda:
cuidado com os bens naturais: Água, meio-ambiente e recursos naturais não podem ser privatizados;
busca do preço justo, trabalho mais qualificado, produtos eficientes, impostos no capital e finanças, cuidar mais de perto dos paraísos fiscais e desenvolver capacidade política.

2ª Conferência: Ética e Valores: em busca de um novo modelo de Gestão

Responsabilidade Social:  Modelo multi-stakeholder de governança e gestão estratégica (steakeholder = parte interessada)

Conferencista:  Lorenzo Sacconi, Itália, diretor do Centro de Pesquisas interuniversitárias Economética, Universitá di Milano Bicocca e Professor Universitá di Trento.

Lorenzo Sacconi inicia a palestra citando Fridman-2005: ”É fácil fazer responsabilidade social com o dinheiro dos acionistas" e pergunta: Responsabilidade Social é importante?
Mais uma vez a assimetria é citada e fala dos incentivos perversos que criam desigualdade, dos mercados financeiros  e dos sujeitos que os operam (dos guardiões do dinheiro), do liberalismo econômico, das políticas de privatizações, dos custos de transações e reflete que a empresa tem dever fiduciário, natureza multifiduciária e o dever de investir no capital humano, mas o que prepondera é o abuso de autoridade e códigos de Ética não respeitados.
As normas morais, diz, nascem de um acordo moral imparcial e representam a base da governança.  
Recomenda maximizar a função de steakeholder, desenvolver senso de justiça e ética filosófica: responsabilidade empresarial, dar sentimento a razão, ter interesse em uma boa reputação e no trabalho conjunto.

Dr. Roberto Carvalho Perin, Itália, Professor de Direito Administrativo da Universitá Degli Studi di Torino;
O mundo passa por problemas de credibilidade. Valores e Ética podem ajudar neste momento difícil. A Ética é útil para o bom funcionamento das organizações e empresas.
Organizações públicas devem observar as leis. Não só a Constituição, mas respeitar outros princípios como HONRA – usar, de forma moderna, este conceito!
Conceito de Honra: efetuar as tarefas no escritório com zelo, agilidade, ter cuidado, estudar antes de tomar decisões, evitar opções facciosas.
Europa: honrar a proximidade ao rei (absolutismo) era honra do nobre se aproximar do rei.
HONRA, na idade moderna, é lida como RESPONSABILIDADE e não como privilégio!
Violação da honra leva a indenização para quem foi ofendido na honra!

Mais informações no site do VII Congresso de Administração.Confira.

ASSOCIATIVISMO PARTICIPATIVO SE FAZ COM UNIÃO E PLURALIDADE.
DIRETORIA EXECUTIVA GESTÃO 2011-2012

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